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Quarta-feira , 12 de Setembro de 2018 - 12hs10

turismo

Jalapão: o tesouro do Tocantins

Fonte: Da Redação

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Dunas do Jalapão

Paisagens estonteantes, cachoeiras monumentais, dunas douradas e a natureza totalmente preservada. Assim é o Jalapão, o maior destino turístico do Tocantins, que vem sendo descoberto pelos ecoturistas há pouco mais de 15 anos.

Ideal para quem deseja relaxar e aproveitar ao máximo o contato com a natureza, a região pouco explorada tem ainda acesso limitado, mas vale cada quilômetro da estrada de terra percorrido.

Um destino relativamente novo

O Tocantins é o estado mais jovem do Brasil. Sua criação, pela Constituição de 1988, colocou no foco dos brasileiros uma região até então pouco conhecida do país. A economia acelerou rapidamente com a implantação da capital, Palmas, órgãos públicos e diversas obras de infraestrutura.

Isso provocou um movimento migratório que levou muita gente de outros estados para o Tocantins. As pessoas não estavam apenas interessadas nos empregos criados, mas também em investir nas oportunidades deste raro momento e criar negócios para atender as demandas de produtos e serviços.

Não tardou para que as belezas naturais da região despertassem o interesse de ecoturistas em busca de cenários naturais e um pouco de aventura.

Em 2001, foi criado o Parque Estadual do Jalapão e a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins que, com a adição do Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, formam o que hoje chamamos simplesmente de Jalapão.

Cerrado, calor e cachoeiras

Com 34 mil quilômetros quadrados, o Jalapão é uma região árida pontilhada por vários oásis. Abrange os municípios de Ponte Alta do Tocantins, Mateiros, São Félix do Tocantins, Lizarda, Rio Sono, Novo Acordo, Santa Tereza do Tocantins, Lagoa do Tocantins e Rio da Conceição.

O nome Jalapão deriva da flor chamada jalapa-do-brasil, que pode ser encontrada em abundância na região. Sua raiz possui um tubérculo com propriedades medicinais comprovadas.

Com temperatura média anual de 30ºC, possui uma grande rede de rios, riachos e ribeirões, todos de água límpida e transparente, que banham a paisagem árida. Os principais são os rios Sono, Soninho, Novo, Balsas, Preto e Caracol.

A vegetação varia do cerrado baixo à campina. Matas de galeria surgem próximo de rios e fervedouros.

A aventura começa na viagem

Chegar ao Jalapão já é, por si só, o início da aventura.

Não há aeroporto próximo. Portanto, é necessário ir à capital do Tocantins, Palmas, e seguir viagem por meio rodoviário, seja alugando um carro ou contratando um pacote turístico com uma agência local que providenciará o transporte.

Caso sua opção seja o carro, é fundamental que seja um veículo 4x4 com características off-road. Não tem jeito. As vias são asfaltadas até Ponte Alta do Tocantins, localizada a 195 quilômetros de Palmas, mas a partir daí há somente estradas de terra ou areia e o risco de atolar é altíssimo — no período da seca a areia fica muito fofa, enquanto na época das chuvas torna-se uma lama só. Dentro da reserva todas as vias são de terra e areia também, exigindo, além do carro adequado, uma certa habilidade do motorista.

A partir de Ponte Alta é possível seguir para destinos mais afastados e rústicos, como Novo Acordo e Mateiros. Essa última cidade fica localizada a cerca de 300 quilômetros de Palmas.

Não se esqueça de levar dinheiro em espécie. Não há caixas eletrônicos no Jalapão, o melhor que você pode conseguir é uma agência do Correio, e é importante estar preparado. Cerca de R$ 100,00 por dia, para um casal, são suficientes para ficar tranquilo.

Outra dica importante: se estiver indo sozinho(a) e quiser encontrar uma boa companhia para a viagem, aproveite para usar os aplicativos de relacionamento, como o Badoo, enquanto ainda estiver em Palmas. No Jalapão praticamente não há sinal de telefonia móvel e Internet é uma coisa rara.

Como se hospedar no Jalapão

Depois de descobrir que chegar lá não é assim tão simples, é bom saber que se hospedar não é problema dos maiores — se você se planejar, claro. Há várias opções de pousadas localizadas em cidades no entorno do Jalapão. São acomodações simples, mas muito bem cuidadas. O ecoturismo é a principal atividade do local, portanto o objetivo é agradar.

Há também a opção de acampar por conta própria ou alugando uma tenda fixa de uma operadora local. Para quem curte camping ou quer experimentar algo diferente, está aí a oportunidade sem ter de obrigatoriamente possuir o equipamento.

A alimentação é simples, saborosa e muito bem feita. Você não vai encontrar aquele restaurante sofisticado com pratos elaborados, mas poderá experimentar comida autêntica da região, com um excelente tempero.

Dica: se você for com uma agência não tem com que se preocupar, pois a alimentação normalmente está incluída no pacote; mas se for sozinho(a) e estiver fora das cidades maiores, é bom se prevenir e verificar onde comer com antecedência, porque muitos lugares fazem a comida por encomenda e na quantidade certa.

Muitas atrações para curtir

Fonte: commons.wikimedia.org

Todo o esforço para visitar o Jalapão é amplamente recompensado pelo que você vai encontrar por lá. A natureza fez um belíssimo trabalho nesse lugar.

Em uma região árida, diversos rios criam zonas verdes à sua volta. A vegetação típica é o cerrado, mas há também matas no entorno dos rios e fervedouros, além de zonas onde dunas de areia vermelha com até 40 metros de altura dão a sensação de estar em um deserto e proporcionam um passeio incrível. Assistir um por do sol do topo de uma delas é um passeio obrigatório.

Os rios do Jalapão formam diversas cachoeiras e praias que, com o calor intenso da região, tornam-se os melhores passeios do parque. Portanto, tenha sempre à mão roupas de banho para dar aquela paradinha estratégica e aproveitar para um mergulho.

Os mais aventureiros vão se divertir praticando rafting em corredeiras próximas à Cachoeira da Velha, onde o bote literalmente atravessa a queda d'água. Algumas quedas proporcionam um tremendo frio na barriga, mas faz parte.

Também são imperdíveis a Cachoeira do Formiga, do Rio Soninho, das Araras, da Roncadeira, do Escorrega Macaco e a do Lajeado, com suas águas igualmente claras e frescas. Fechando a lista temos os paredões do Cânion do Sussuapara, com uma pequena queda d'água.

Fervedouros, uma exclusividade do Jalapão

Um fervedouro é um fenômeno natural único do Jalapão. São piscinas naturais de água cristalina onde é impossível afundar.

Elas são formadas por nascentes de rios subterrâneas que, em determinados pontos, possuem uma pressão muito alta, fazendo com que rompam o solo composto de areia fina e surjam na superfície por meio de um fenômeno chamado Ressurgência. Quando a água aflora, a pressão é tão grande que empurra a areia para cima. A pressão da água, associada à areia em suspensão, faz com que as pessoas flutuem quando entram nessas piscinas. Diversão garantida para adultos e crianças.

O Fervedouro Bela Vista e o Fervedouro do Ceiça são os mais famosos, cada um com uma característica diferente. Mas é bacana conhecer também outros, como o Fervedouro do Rio Sono, do Encontro das Águas — considerado o mais potente —, dos Buritis, do Alecrim e do Buritizinho, que possui a água mais transparente.

Há mais de 120 fervedouros catalogados no Jalapão, alguns particulares, mas em todos é possível passar um tempo se refrescando e apreciando a natureza. Em volta deles, o verde predomina completando a paisagem.

Vista de cima

Fonte: Wikipedia

Para quem gosta de uma boa trilha, fotografar cenários únicos e apreciar uma vista de tirar o fôlego, a Serra do Espírito Santo é um show à parte.

Trata-se de uma montanha de arenito que possui o topo achatado típico de algumas formações rochosas brasileiras. Com 250 metros de altura, do seu topo é possível contemplar uma das mais belas vistas naturais do mundo.

Um fato curioso é que da erosão dessa serra surgiram as dunas do Jalapão. A ação do vento nela é única, pois retira vagarosamente sedimentos de rocha das suas paredes e os deposita sempre no mesmo lugar.

Os passeios ao topo costumam ser iniciados de madrugada, quando o calor está mais ameno e o esforço da subida fica mais suave.

São cerca de 700 metros de trilha íngreme para se atingir o topo, mas a recompensa é assistir um dos mais espetaculares nascer do sol de que se tem notícia.

Um pouco mais antes de ir embora

As atrações parecem não ter fim para quem visita o Jalapão.

Em uma ponta de rocha, a ação do vento produziu um cenário que parece ter sido desenhado para os amantes de fotografia. Trata-se de um arco de rocha chamado de Pedra Furada. Ele possui uma posição estratégica, que proporciona um espetáculo diário quando os raios atravessam o vão na rocha durante o por do sol.

Durante a noite, a ausência de luzes fortes e poluição das cidades entrega para o visitante um céu estrelado como provavelmente ele nunca viu antes. É possível ver o braço da Via Láctea e localizar as constelações com facilidade.

Antes de partir, visite uma das lojas que comercializam o artesanato local. No Jalapão, nasce um raro capim com coloração dourada muito intensa e bonita. Sua colheita é controlada e a partir dele são produzidos lindos artigos como bijuterias, itens de decoração em geral, bolsas e chapéus. É uma forma de levar um pouquinho dessa beleza exuberante para casa.


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